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SEDE SANTOS

15 de março - Dia de São Clemente Maria Holfbauer

15 de março - Dia de São Clemente Maria Holfbauer

VIDA DE SÃO CLEMENTE HOFBAUER
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MENSAGEM DE SÃO CLEMENTE EM 11 DE NOVEMBRO DE 2012
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acessem: radiomensageiradapazjacarei.blogspot.com.br
www.apparitionstv.com


JACAREÍ, 11 DE NOVEMBRO DE 2012
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA E SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER - COMUNICADAS AO VIDENTE MARCOS TADEU TEIXEIRA
CAPELA DO SANTUÁRIO DAS APARIÇÕES DE JACAREÍ SP BRASIL


youtu.be/ecgNWF1FDNU

MARCOS: “-Sim... Sim... Eu Me alegro que a Senhora tenha gostado dele. Vós sabeis quantas dificuldades eu tive e quanto sofri para fazê-lo, mas com a vossa graça tudo saiu bem e eu consegui finalizar. (pausa)
Sim... Essas duas que a Senhora quer agora? Perfeito, amanhã mesmo eu começo. (pausa) Sim... (pausa) Sim, perfeito.”




MENSAGEM DE NOSSA SENHORA

“-Meus queridos filhos, hoje, Eu vos chamo novamente ao verdadeiro amor que é agradável a Deus e que abre para vós as portas do Céu. Somente pelo verdadeiro amor vós podereis agradar a Deus com obras santas, ajuntar merecimentos para a vida eterna e encontrar para vós abertas as portas do Paraíso.

O amor é a chave que abre a porta do Céu ao homem, o amor é o que verdadeiramente toca o coração do Meu filho e é isso que Ele procura nas almas incessantemente sem, contudo encontrar. Como Eu desejo almas de verdadeiro amor, de amor puro, de fogo puro que inflamadas na fornalha do amor do Senhor levem a todos os recantos do mundo este fogo acendendo-o nas almas e fazendo assim com que na Terra seja instaurado o Reino de Nosso Senhor.

Somente pelo verdadeiro amor as vossas obras terão valor eterno diante do Senhor, valor meritório e assim somente que as vossas obras produzirão frutos perenes de santidade, de bem e de transformação da face da Terra. Por isso vos chamo Meus filhos ao amor puro, desinteressado, incondicional, ilimitado para com o Senhor, de forma que este amor divino cresça em vós a cada dia e vá transformando-vos a cada dia mais, até atingirdes a plenitude do amor, a santidade.
A santidade perfeita nada mais é do que a plenitude do amor. Por isso chamo-vos sempre a um amor mais abrasado, mais intenso, profundo, mais generoso que se entrega e se doa ainda mais do que já o fez até agora, de modo que vós todos possais irdes crescendo sempre mais no amor sem nunca paralisar-vos, nem estacionar-vos no meio do caminho.

Como Rainha do Amor Eu vos chamo a imitardes o amor que havia no Meu Coração pelo Senhor e por todas as almas, amor este que Me levou a Me entregar completamente ao Senhor já em tenra idade e a Me oferecer voluntariamente pela salvação de toda a humanidade sofrendo tudo que o Senhor quisesse que Eu sofresse, sacrificando-Me em tudo e por tudo, para todos e por todos, para que assim verdadeiramente a redenção pudesse realizar-se e o Verbo Divino pudesse vir ao mundo. Com este amor vós também fareis obras admiráveis pelo Senhor e pela salvação das almas, porque àquele que tem o amor divino tudo é possível.
Somente com o verdadeiro amor e pelo verdadeiro amor vós verdadeiramente sereis filhos de Deus, vereis a Deus, ou seja, conhecereis a Deus como Ele é em Sua essência e verdade e Dele não falareis mais como de uma pessoa do qual ouvistes falar ou da qual vós lestes alguma coisa, mas falareis de Deus como de alguém que vós verdadeiramente conheceis, com quem viveis e com quem estais profundamente unidos.

É a este amor que Eu vos chamo Meus filhos e é por isso que desde as Minhas mais antigas Aparições como LA SALETTE, PARIS, LOURDES, PELLEVOISIN, COTIGNAC, até chegar AQUI, Eu não Me canso a convidar-vos ao verdadeiro amor mostrando-vos a doçura do Meu Amor que como um mel, como um favo de mel, se derrama sobre vós como uma gota de mel se derrama sobre vós para encher vossas almas da Minha doçura e do Meu Materno Amor.
Aqui nestas APARIÇÕES DE JACAREÍ, onde revelei a Minha doçura, o Meu Amor, a Minha bondade como nunca, Eu quero hoje mais uma vez encher vossos corações com o Amor Divino, plenificá-los desta Paz e desse Amor que Eu trago, enchê-los da Graça e da alegria do Espírito Santo até os vossos corações transbordarem, para que assim corra sobre todas as pessoas e sobre o mundo tão cheio de maldade, pecado, violência, trevas e secura, aridez espiritual, para que corra no meio dos Meus filhos um rio de graça, de vida, de amor, de paz, de devoção, fé e verdadeira vida em Deus.

Eu estou convosco Meus filhos! 0 que Eu disse à Minha filhinha ESTELLE digo também a vós “Não temais os maus, não temais a maldade deste mundo porque Eu estou convosco e Eu chamo todos vós a virdes para a Minha direita, para o grupo dos Meus filhos bons, obedientes, leais e fiéis que levam a Minha luz a toda a parte da terra para dissipar as trevas, divulgando as Minhas Mensagens, as Minhas Aparições, Meus videntes, a vida dos Santos e assim juntos possamos inundar o mundo com a luz mística do Senhor e do Meu Coração Imaculado que em breve triunfará.
As Minhas Aparições, todas, vos apontam a Minha vitória segura e o aniquilamento completo de satanás no fim dos tempos da tribulação. Por isso, confiança Meus filhos! Rezai! Não percais tempo com passatempos, com discussões ou coisas vãs. Rezai!!! Cada Terço a mais que vós rezais por dia faz muita diferença, assim como muita falta faz um só terço que vós deixais de rezar por indolência convosco mesmos.

Eu conto com as vossas orações, preciso delas para salvar tantas almas que sem as vossas orações se perderão sem remédio. Mas se vós rezardes ainda há esperança e Eu prometo virar este jogo contra o Meu inimigo e fazer de virada, de modo triunfal, surpreendente, encantador e súbito o grande Triunfo do Meu Coração Imaculado sobre as forças de satanás.
Rezai! Na oração encontrareis todas as respostas, toda a paz e felicidade que procurais. Na oração reencontrareis o sentido da vossa vida, novas inspirações sobre o que deveis fazer, novas forças para lutar, encontrareis na oração a luz, a paz, a verdade que o mundo não conhece, porque não reza, porque não gosta do Meu ROSÁRIO, porque não ama o Senhor.

Eu, a todos, vos abençoo agora generosamente, de PELLEVOISIN, de LOURDES e de JACAREÍ.

A Paz Meus filhos amados! A Paz a ti Marcos o mais esforçado dos Meus filhos. Deixo-te, dou-te um agradecimento especial pelo esforço imenso e até sobre humano que fizeste no meio dos teus grandes e penosos sofrimentos, para terminar o VÍDEO DAS MINHAS APARIÇÕES DE COTIGNAC, de PELLEVOISIN, que Eu tanto amo e que eu tanto quero ver conhecidas, amadas e obedecidas por todos os Meus filhos.
Sobre ti, hoje, desce como uma grande chuva, uma benção particular, especial do Meu Coração Imaculado.”




MENSAGEM SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER

“-Marcos, Eu, CLEMENTE HOFBAUER, membro da Congregação DO S.S. REDENTOR DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, servo de Jesus e de Maria, alegro-Me por poder vir hoje pela primeira vez, dar-vos a Minha Mensagem e abençoar-vos com a benção que Me deu o Senhor para dá-la hoje a vós.

Sede pedras vivas, brilhantes, preciosas, sede esmeraldas da grande cidade mística do Rei do Céu, do palácio do Senhor Jesus Cristo cultivando sempre mais em vós a virtude da FÉ, da esperança, do amor, para que então a vossa beleza encante as almas do mundo inteiro e elas também queiram transformar-se em santas esmeraldas de fé e de amor como vós.

Sede esmeraldas de fé imitando a fé da Santíssima Virgem, que foi forte na ida para Belém e vendo-se sem recursos nem lugar para poder acolher o Seu Divino Filho recém-nascido, ainda assim acreditou que Ele era o Rei do Céu, o Senhor e dono de tudo o que existe.

Imitai a fé da Mãe de Deus, que mesmo vendo o Seu Divino Filho chorando de frio na Gruta de Belém e precisando ser agasalhado, que Ele era o Rei do Céu e da terra que a tudo mantém, que tudo conserva e que tudo veste com a Sua beleza, com a vida, com a alegria e com a harmonia das cores, da vida, de cada ser, de cada homem que existe.

Imitai a fé da Santíssima Virgem, que durante toda a vida do Seu Divino Menino que crescia com Ela e com São José na casa de Nazaré via-O crescer no tempo como homem e acreditou que Ele era o Deus Eterno sem começo, sem meio e sem fim.

Sede esmeraldas de fé imitando a fé da Mãe de Deus, que durante a Paixão do Seu Divino Filho especialmente quando O viu pregado à Cruz, com os seus poderes milagrosos desaparecidos, sofrendo todo tipo de ultrajes, de insultos, de ofensas e de opróbrios, ainda assim acreditou que Ele era o Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores e que Ele tinha todo o poder no Céu e na Terra para salvar a Si e a todos.

Sede esmeraldas de fé imitando a fé da Mãe de Deus, que mesmo vendo o Seu Divino Filho expirando na Cruz e morrendo como homem, continuou acreditando que Ele era Deus, que estava vivo com o Pai e que ao terceiro dia ressuscitaria glorioso, vencedor do pecado e da morte.

Imitai a fé da Mãe de DEUS, que mesmo vendo os Apóstolos perseguidos, a Igreja nascente perseguida, humilhada, desprezada por tantos, ainda assim acreditou firmemente que Ela era o corpo místico de Cristo, a esposa amada do Cordeiro, a rocha firme sobre a qual todo aquele que nela se apoiar não perecerá, não se perderá.

Sede esmeradas de fé imitando a fé da Mãe de Deus, que em todos os momentos de Sua vida, também na fuga para o Egito vendo o Seu Filho tendo que fugir de um rei mortal ainda assim acreditou que Ele era o Senhor dos Senhores, o Deus a quem tudo está submetido, até os maus, até aqueles que governam este mundo e que detém o humano poder.

Por isso, imitando a fé da Santíssima Virgem e sendo esmeraldas de fé, vós não vos paralisareis diante dos sofrimentos desta vida, não ficareis perplexos diante das tragédias que acontecem neste mundo, não desanimareis ante os sofrimentos que vos golpeiam todos os dias deste tempo da grande tribulação e sempre mais seguireis avante no caminho da santidade, corajosos, valentes, repletos de fé, resplandecendo como esmeraldas de fé atravessadas pelos raios do Sol da Justiça que é o próprio Senhor, que também é o Seu Espírito Santo.

Eu, CLEMENTE, amo-vos muito, conheço as vossas dores e dificuldades e estarei sempre convosco em todos os momentos da vossa vida. Confiai-Me as vossas dificuldades e Eu unirei as Minhas Orações às vossas, os Meus merecimentos aos vossos e alcançarei do Senhor e da Mãe de Deus para vós aquilo que necessitais e a graça da Paz e da Misericórdia.

Eu desejo que vós sejais profundamente abrasados de amor pela Mãe de Deus, pois a verdadeira devoção a Ela Me fez subir até ao cume da santidade e às glórias do Paraíso, e assim também, esta devoção vos farão igualmente, chegar a serdes grandes santos e a terdes uma felicidade sem fim, sem medida no Céu.

A todos neste momento abençoo com amor e especialmente a ti Marcos, que Me rezas já há muitos anos, que tens um carinho tão grande por Mim e a quem sempre amo, defendo e protejo. A Paz.”


MARCOS: “ Até breve... Até breve minha Mãe do Céu..."

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Batizado com o nome de João, ele nasceu num pequeno povoado da Morávia, República Tcheca, em 26 de dezembro de 1751. De família muito cristã e pobre, não pode se dedicar aos estudos até a adolescência. Seus pais Paulo Hofbauer e Maria Steer tiveram doze filhos e ele tinha apenas sete anos, quando ficou órfão de pai. Consta de suas anotações que, nesse dia, sua mãe lhe mostrou um crucifixo e lhe disse:

"A partir de hoje, este é o teu Pai".

João entendeu bem a orientação, decidindo, a partir de então, que se tornaria sacerdote e missionário.




Foi um notável pregador e diretor espiritual em Viena, São Clemente era diretor espiritual do Convento das Irmãs Ursulinas, fundou um colégio católico em Viena, trabalhou com os pobres e ajudou a revitalizar a vida religiosa na Alemanha.

Trabalhou contra o estabelecimento de Igreja Nacional Germânica e contra o Josephinismo que queria o controle secular do Clero e da Igreja dentre esses e outros feitos destacamos o segredo de sua grande santidade. Uma ardente, terna e filial devoção à Santíssima Virgem.


A devoção de São Clemente à Santíssima Virgem Maria



A devoção à Santíssima Virgem era um ponto atacado e combatido naqueles tempos de frieza religiosa e jansenismo detestável.

Até teólogos que se diziam católicos, julgavam dever impugnar o culto de Maria Santíssima. O Rosário era desconhecido em bastante centros católicos de sorte que em Viena se tinha em conta de curiosidade o fato de que na igreja de Santa Úrsula havia um padre que benzia Terços e Rosários.

São Clemente era um digno fiolho espiritual de Santo Afonso Maria de Ligório, o dedicado cantor e defensor acérrimo das Glórias de Maria, e por isso não podia deixar de consagrar à Virgem Maria um amor terno e filial. O divino Mestre afirmou que a boca fala ex abundantia cordis, daquilo que enche o coração; para São Clemente, o decantar no púlpito e nas palestras familiares as Glórias da Mãe de Deus, era uma das maiores alegrias e consolações da sua alma.

No púlpito, quando discorria sobre algum mistério da vida de Nossa Senhora, tornava-se excepcionalmente eloqüente e as palavras jorravam fáceis dos seus lábios: era o filho amoroso que enaltecia os encômios de sua Mãe.

A Imaculada Conceição, as Sete Dores de Maria e, sobretudo o mistério da Anunciação, em que veneramos conjuntamente a encarnação do Verbo e a maternidade da Virgem, eram o objeto de sua mais terna devoção desde os dias de sua infância, e o assunto predileto dos seus eloqüentes sermões. Dificilmente passava-lhe despercebido o toque do “Ângelus” de manhã, ao meio dia e à tarde; onde quer que se achasse, punha-se de joelhos e com devoção e amor saudava sua Rainha e Mãe.

A exemplo de Sto. Afonso nutria uma devoção toda especial para com a Virgem sob o título do Bom Conselho, de cujas luzes tanto necessitava naqueles tempos turbulentos; e a Virgem diversas vezes deu mostras de que aceitava os obséquios do seu devoto Servo, guiando-o, qual estrela indeficiente através dos escolhos e abrolhos da vida tempestuosa do seu século.




Característica era a sua devoção para com o Rosário de Maria, que denominava a sua “biblioteca”.

Em todos os seus passeios pela cidade e em casa, nos momentos livres, Clemente desfiava as contas do Rosário. Para consolidar essa devoção entre os seus discípulos impôs aos oblatos da congregação o dever de defender sempre o Santíssimo Rosário, mormente quando escarnecidos pelos hereges. No púlpito, no confessionário e nos entretenimentos familiares recomendava com fogo essa devoção; nas pausas do confessionário rezava o terço, ou, ao menos algumas “Ave-Marias”, afirmando que por essa devoção conseguia quanto pedia a Deus.




Por vezes, à cabeceira dos doentes, esgotados aos meios de persuasão, ajoelhava-se, rezava o terço, e a conversão era garantida. Chamado a algum doente, que morava um tanto afastado, punha-se a rezar o Terço a caminho e gostava de dizer:

“Quando tenho tempo de rezar o Terço, não há pecador que não se converta!”

Para São Clemente a devoção a Nossa Senhora era uma necessidade imperiosa. Não podia ouvir falar em nome de Maria sem algum predicado glorioso para Ela. Quando em suas longas viagens encontrava algum santuário da Virgem, não prosseguia seu caminho sem primeiro saudar sua Mãe Celeste e depositar em seu altar o ósculo ardente de seu amor filial. Em Viena os únicos passeios que fazia fora da cidade, eram consagrados à Virgem em seus santuários, Todas as igrejas de Nossa Senhora eram-lhe caras, porque em todas elas encontrava ocasião de homenagear sua Mãe e Rainha; porém o que mais lhe atraia era o de Mariazell, onde se desenvolvia como em nenhum outro, a vida de fé católica, aliás, abaladíssima na Áustria no tempo do josefismo.



Quando o Santo contemplava as multidões que, de perto e de longe, invadiam o Santuário da Virgem, os corações a vibrar de amor, os cânticos a ecoar pelas planícies, as orações a repercutir na vasta abóbada do Santuário, sua satisfação era sem limites, seu peito estremecia, e seu coração parecia saltar fora a desafiar os incrédulos a virem em sua incredulidade explicar aquele espetáculo de fé.
–“Que os incrédulos, exclamou Ele, venham explicar-Me, se puderem, o que impulsiona este povo, o que o traz de tão longe terras, a custo de mil fadigas, a estas montanhas! Tem-se que reconhecer que é o poder da fé. Oh! Se o Santo Padre pudesse ver toda essa gente e esta devoção, havia de chorar de alegria”.
No púlpito e no confessionário exortava continuamente os fiéis a recorrerem à Rainha do Céu

– “Não se pode ir para o paraíso senão por meio de Maria”, gostava Ele de repetir.

Mormente aos pecadores apontava São Clemente a devoção a Maria Santíssima como âncora de refúgio e de salvamento.

“Meus irmãos, exclamou Ele um dia levado de entusiasmo, se entre vós existir algum que perdeu a fé, ou nela se sente fraco, ouça o remédio eficaz que eu conheço ser infalível: reze diariamente de joelhos e com devoção uma ‘Ave-Maria’ à Mãe de Deus, e sua alma atribulada recuperará a paz”.




LIVRO - VIDA DE SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER
Insigne propagador da CONGREGAÇÃO DO SS. REDENTOR

LIVRO: LINK PARA DOWNOAD

LIVRO - VIDA DE SÃO CLEMENTE HOFBAUER



Crianças, doentes, estudantes, damas e nobres, todos, sem exceção, o
conheciam e estimavam. Suas pregações atraíam milhares de
pessoas, especialmente jovens e intelectuais.


"Deus é admirável nos seus santos", diz com sabedoria um secular canto litúrgico. E, de fato, onde poderemos distinguir com maior facilidade o braço poderoso do Altíssimo do que nas figuras incomparáveis de Seus justos e eleitos? Representantes de todas as raças, povos e condições sociais, em suas pessoas pulsa a força do evangelho, brilha a luz da virtude e se torna realidade o título de nossa Santa Igreja, uma vez que a chamamos Católica porque essa palavra quer dizer "universal".


São Clemente Maria Hofbauer,
apóstolo e patrono de Viena

Sempre que nos aprofundamos no conhecimento da alma de um bem-aventurado, deparamos invariavelmente com admiráveis reflexos da pessoa adorável de Jesus, que ali encontrou correspondência à voz de Sua graça: "Se alguém Me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada" (Jo 14, 23).
Nesse sentido, o Santo Padre Bento XVI nos ensina: "Cada santo que entra na História já constitui uma pequena porção do retorno de Cristo, um novo ingresso dEle no tempo, que nos mostra Sua imagem de um novo modo e nos deixa seguros de Sua presença"1.


Um luzeiro para o norte da Europa

Numa manifestação de imensa bondade, Deus suscitou no intrincado período de passagem do século XVIII para o XIX grandes homens segundo o Seu coração, que empunharam corajosamente a chama da caridade. Foram santos tão modelados segundo as máximas do Evangelho que quase diríamos terem seguido pessoalmente as pegadas do Mestre nas míticas paragens de Israel.
É entre tais heróis que encontramos São Clemente Maria Hofbauer, um dos gloriosos padroeiros de Viena, suscitado pelo Senhor para transformar a sociedade de seu tempo com as simples armas do fervor e da oração.

Nosso Santo veio ao mundo em Tasswitz, pequena aldeia rural, hoje pertencente à República Checa, situada a cem quilômetros ao norte de Viena. Levado à pia batismal no mesmo dia de seu nascimento, 26 de dezembro de 1751, recebeu o nome de João Evangelista. Sua humilde família foi abençoada com doze filhos, entre os quais João era o nono.

Apesar das muitas dificuldades enfrentadas pelos pais, reinava naquele lar cristão um grande zelo pela Lei de Deus, no cumprimento da qual todas as crianças foram formadas. Quando a morte arrebatou a vida do chefe da família Hofbauer, a mãe de Clemente - seu nome de religioso, com o qual passou para a História - levou-o aos pés do crucifixo da paróquia e lhe disse: "Meu filho, a partir de agora, é Ele o teu pai. Cuida de andar sempre pelos caminhos que são do Seu agrado". Tinha ele, por essa época, apenas sete anos.


Discípulo sem mestre

Assim se descortinaram para São Clemente, em tão tenra idade, os grandes obstáculos da vida a serem vencidos. Encontramo-lo ainda criança como aprendiz de padeiro, e na adolescência como auxiliar no refeitório da abadia premonstratense de Klosterbruck. Ansiava ele pela vida consagrada, sem discernir claramente sua vocação específica nem possuir meios para trilhar esta sublime via. Pode-se dizer que toda a sua juventude foi uma incessante busca pelos desígnios divinos a seu respeito.
Sem se sentir chamado a ser um dos filhos de São Norberto, junto aos quais trabalhou com dedicação e aprendeu as primeiras letras, partiu o jovem de 24 anos para um local retirado em Mühlfrauen e viveu aí como eremita por um ano.
Num paradoxal trajeto forçado pelas circunstâncias e permitido por Deus, teve de abandonar sua ermida e voltar aos trabalhos de panificação, para depois retomar a vida de absoluto recolhimento e oração, quando retornava de uma peregrinação a Roma. Encantou-se nesta circunstância com os ermitões de Tívoli, aos quais se uniu com alegria por um fecundo período.




Escudo dos Redentoristas
com a inscrição: Copiosa apudeum redemptio (Junto d'Ele é Copiosa a Redenção)


Pode parecer surpreendente que um santo tão chamado ao apostolado e à pregação quanto São Clemente tenha passado metade da vida sem descobrir sua vocação, e longos períodos em completo silêncio e isolamento. Mas Deus nada faz de muito grande repentinamente, nem confia Seus superiores desígnios a homens pouco experimentados nas vias espirituais. Nos períodos de trabalho como padeiro ou de recolhimento e solidão, germinava na alma do humilde camponês a semente de uma transformadora santidade, a qual só cresce à sombra da piedade e só frutifica na proporção da solidez de suas raízes.

A força de um novo carisma

Seu desejo de se tornar sacerdote intensificou-se na vida eremítica. Convencido interiormente de que chegara o momento, São Clemente partiu rumo a Viena, onde tinha esperanças de começar os estudos eclesiásticos. Ali, três nobres damas se compadeceram dele e pagaram suas despesas, o que lhes mereceu para sempre a gratidão do santo e as copiosas bênçãos de Deus.
Após um período em Viena, São Clemente partiu outra vez para a Cidade Eterna, desejando completar sua formação teológica. Grande foi sua consolação quando lá conheceu, com um companheiro de viagem, Tadeu, os sacerdotes da Congregação do Santíssimo Redentor, a instituição fundada havia pouco por Santo Afonso de Ligório. Já no primeiro contato, sentiu que estavam encerrados os anos de incessante procura: Deus o chamava para ser redentorista, e não deixava lugar para dúvidas.
Era o ano de 1784, e o venerando fundador, próximo já dos noventa anos, passava os dias sofrendo e rezando por seus filhos. Quando soube do ingresso desses dois virtuosos jovens germânicos no noviciado, Santo Afonso consolou-se sobremaneira e fez esta impressionante profecia: "Não duvideis, a Congregação há de durar até o dia do Juízo, porque não é obra minha, mas de Deus. Enquanto eu viver, ela continuará na obscuridade e nas humilhações; depois da minha morte, porém, ela estenderá suas asas, sobretudo nos países do Norte. Estes padres farão muito pela glória de Deus"2. Não se enganava o eminente Doutor da Igreja, pois a grandiosa expansão dos padres redentoristas pelo mundo deveu-se em larga medida ao impulso inicial dado por aquele novo filho, um dos consolos de sua ancianidade.


Ergue-se a chama do fervor

Os abençoados dias de noviciado foram de imenso valor para São Clemente, que teve a alma modelada segundo o espírito do fundador e o carisma da ordem. Sua profissão religiosa não tardou muito, e a ansiada ordenação sacerdotal se deu no dia 29 de março de 1785, quando contava 34 anos de idade. Logo ele se transformou, à imagem de Jesus, no bom pastor que dá a vida por suas ovelhas.
Os superiores enviaram-no para além dos Alpes, incumbindo-o de atividades missionárias junto aos pobres. Seu trabalho apostólico iniciou-se em Varsóvia, onde lhe foi confiada a Igreja de São Beno, nessa época completamente abandonada. O triste estado material do templo bem representava o desamparo espiritual das almas que na cidade viviam, afundadas na indiferença e tibieza, sem instrução religiosa nem vida sacramental.
São Clemente tinha consciência do perigo que corria aquele rebanho, e lançou-se com ardor na obra de evangelização. Começou com os meninos abandonados, para os quais fundou uma escola nas próprias dependências de São Beno. Compadecia-se da ignorância geral sobre as verdades da Fé, tanto entre o povo humilde como entre as pessoas ilustres; para solucionar esse problema, pregava constantemente. Aos poucos, o singular sacerdote ia vencendo a inércia espiritual. Crianças, jovens, operários, damas e cavalheiros, todos sem exceção, lotavam a igreja para ouvir suas palavras cheias de unção, capazes não apenas de convencer, mas também de mover os corações para as vias da santidade.


Necessidades supremas, remédios extraordinários

Durante os vinte anos de sua permanência na Polônia, as atividades realizadas na comunidade de São Beno foram o foco de uma imensa transformação, duradoura e eficaz. Para a obtenção desse êxito, o principal recurso do santo, o mesmo que usou depois em Viena, foi simples e digno de nota: tratou ele de revestir de beleza e magnificência todas as cerimônias litúrgicas, estimulando nas almas o senso do sagrado. "As solenidades públicas atraem por seu esplendor e aos poucos cativam o povo, o qual ouve mais com os olhos do que com os ouvidos" 3,costumava dizer.

Com efeito, São Clemente revestia de preciosos ornatos o recinto sagrado, particularmente nos dias festivos. Os paramentos, os cânticos, o cerimonial impecável, tudo concorria para que se revelasse aos olhos dos assistentes a pulcritude da Santa Igreja, a Esposa Mística de Cristo "toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5, 27).



Acompanhemos a sua própria narrativa do que então se realizava num único dia na igreja dos redentoristas:

"Aos domingos e dias santos, às cinco horas da manhã há instrução para os operários e empregados, que não podem ouvir, em outra hora, a palavra divina, havendo em seguida uma Missa para eles [...]. Todos os dias há uma Missa às seis horas com exposição do Santíssimo, durante a qual o povo canta, havendo em seguida uma instrução ao povo em polonês. Durante a instrução celebram-se Missas para aqueles que não compreendem alemão nem polonês. Às oito horas, Missa cantada a cantochão com uma pregação em polonês, e logo em seguida uma outra em alemão. Terminada essa instrução os meninos da escola vão à igreja, onde começa a Missa solene com a grande orquestra: assim encerra-se o culto da manhã.

Depois do meio-dia: aos domingos e dias santos há catecismo para as crianças às duas horas; às três horas as irmandades cantam o Ofício Parvo de Nossa Senhora; às quatro horas há pregação para os alemães, seguida de Vésperas Solenes. Terminadas estas, uma pregação em polonês e enfim a visita ao Santíssimo Sacramento e a Nossa Senhora segundo o método do venerável Servo de Deus, Afonso de Ligório. Nos dias úteis os exercícios da tarde começam só depois da aula. Todos os dias às cinco horas da tarde há pregação em alemão, visita ao Santíssimo e em seguida outra pregação em polonês, via sacra e cânticos sacros em louvor de Jesus Sacramentado e da Santíssima Virgem; rematando tudo, se faz com o povo o exame de consciência, rezam-se os atos cristãos, procede-se à leitura da vida do Santo cuja festa a Igreja celebra no dia seguinte, e por fim a Ladainha de Nossa Senhora, findo o que fecha-se a igreja"4.

Essa impressionante atividade apostólica, que alguns qualificavam de exagerada, não era suficiente para atender todos os fiéis, pois muitos tinham que se contentar com a assistência do lado de fora. Tampouco esgotava o desejo que São Clemente sentia de fazer o bem, e representa apenas uma parcela de seu apostolado. Dedicava-se ademais à formação dos noviços, à fundação de novas casas da Congregação, às obras de caridade, à imprensa católica... Não é fácil, senão impossível, enumerar todos os benefícios que brotaram de seu insaciável coração.


O apóstolo de Viena

Eram dias difíceis para a liberdade religiosa aqueles do final do século XVIII. As novas instituições não eram vistas com bons olhos, o que levou o rei Frederico Augusto da Saxônia a assinar um decreto de expulsão dos redentoristas de Varsóvia. Apesar do grande sofrimento, mas com cristã resignação, São Clemente partiu da Polônia com os seus. Ele soube ver aí um sinal da Providência: "Deus é o Senhor que dirige tudo para a Sua glória e o nosso bem; quem se levanta contra nós, leva-nos para onde Deus quer"5.


Quando São Clemente Maria morreu,
uma multidão acorreu para lhe prestar
uma última homenagem

Detalhe do antigo túmulo na Igreja
de Maria am Gestade, Viena


Foi deste modo que a comunidade se dispersou e ele chegou a Viena em 1808. Restavam-lhe os últimos 12 anos de vida, nos quais transformaria a cidade imperial. A princípio trabalhou na igreja dos italianos, até que foi como capelão para o convento das ursulinas. Lá, iniciou a pregação e o apostolado que atraía milhares de pessoas, especialmente jovens e intelectuais. Os versados em ciência viam nele uma luz superior a seus próprios conhecimentos, e se deixavam instruir pelo sacerdote que os conduzia para a Fé. Não passava uma única semana sem que ele levasse a cabo alguma grande conversão.
Eis uma amostra da impressão causada por suas pregações: "Ele prega como alguém que tem poder. O poder da sua vocação vem da força da sua Fé, que se acha como que encarnada nele e se expressa em cada feição do seu rosto e em cada um dos seus movimentos6". Disse outra testemunha: "Nunca vi alguém que soubesse tornar o cristianismo tão amável, como ele. Durante suas pregações penso muitas vezes que deve ter sido assim que pregaram os apóstolos7".


Triunfal glorificação

Não havia entre os católicos quem não conhecesse e estimasse o padre Clemente: as crianças, que o seguiam por todas as partes; os necessitados e doentes, que o tinham sempre à cabeceira como insuperável consolo; os jovens, que enchiam sua casa para serem formados nos mais nobres princípios cristãos; e os grandes aos olhos do mundo, os quais perto de São Clemente tornavam-se como crianças junto a seu pai.
Quando ele morreu, em 15 de março de 1820, uma enorme multidão veio prestar sua última homenagem ao pastor insuperável que o Senhor e Sua Mãe lhes enviaram. Era o início da glorificação do Servo de Deus, cuja memória haveria de figurar não só entre os homens, mas, sobretudo, no Coração de Deus. O irmão que salva seu irmão salva sua própria alma, e brilhará no Céu como um Sol por toda a eternidade.


São Clemente Maria Hofbauer
Intrépido defensor da Igreja


Considerado o segundo fundador dos redentoristas, perseguido pelo mau clero, destacou-se por seu amor ardente à Igreja e ao Papado e pela argúcia em detectar erros contra a fé

O futuro apóstolo de Viena nasceu em Tasswitz, na Morávia, então pertencente ao Império Austríaco, no dia 26 de dezembro de 1751. Seus pais, Pedro Paulo e Maria Steer, eram camponeses, cujas riquezas eram a fé em Deus e uma grande família. João, que depois mudou seu nome para Clemente Maria, era o quinto dos doze filhos do casal.

Quando contava seis anos, perdeu seu pai. Sua mãe levou-o diante de um Crucifixo e lhe disse:“De agora em diante, este será teu único pai; procura seguir seus passos e levar uma vida conforme à sua vontade santíssima”.

Ele tinha recebido de Deus um coração extraordinariamente propenso para o bem, reto e sincero. Votava um amor entranhado ao Sacramento da Eucaristia e à Santíssima Virgem, sendo o rosário sua oração predileta. Completou o curso primário na escola local, enquanto ajudava a mãe no campo. Embora sentisse verdadeira vocação para o sacerdócio, a pobreza da mãe não permitiu que continuasse os estudos.


As inúmeras voltas do “rio chinês”

A vida para João, até ordenar-se sacerdote, foi como os rios chineses, que normalmente só chegam ao mar depois de darem muitas voltas. Aos catorze anos tornou-se aprendiz de padeiro. Depois disso, sempre à espera de uma oportunidade para estudar, foi encarregado do refeitório dos padres premonstratenses de Bruck, onde conseguiu fazer o ginásio. Tornou-se eremita perto de Mulfrauen, voltando depois à profissão de padeiro, para retornar à vida eremítica, desta vez em Tivoli, na Itália. De volta à Áustria aos 32 anos de idade, quando parecia que nunca mais realizaria seu sonho, benfeitoras pagaram-lhe o estudo na Universidade de Viena. Mas, devido às leis anticatólicas do “déspota esclarecido” Imperador José II, não podendo ordenar-se na Áustria, voltou para a Itália, ingressando na recém-fundada Congregação do Santíssimo Redentor, ou dos redentoristas, onde por fim recebeu em 1786 a ordenação sacerdotal.

Apostolado na Polônia e luta contra a corrupção

São Clemente, que deveria introduzir a Ordem Redentorista nos países de língua alemã, não podia entretanto exercer seu apostolado na Áustria. O imperador José II, instigado por alguns ministros, baixara vários decretos em detrimento da verdadeira Religião, suprimindo conventos, perseguindo religiosos e impedindo o exercício livre do culto divino. Por isso, atendendo a um pedido do Núncio Apostólico em Varsóvia, São Clemente foi para a Polônia.

O estado social e religioso desse país, afligido por contínuas guerras, era desastroso. A fé estava abalada, os costumes dissolutos, a pobreza reinava. O santo escreveu nessa ocasião: “Escândalos e vícios atingiram seu auge, e é difícil encontrar o caminho mais seguro e o modo mais eficaz de melhorar a situação. Desde o clero até o mais miserável mendigo, tudo encontra-se corrompido. Temo muito que Deus descarregue algum golpe terrível sobre esta nação, que assim despreza suas graças e favores; roguemos para que meus temores não se cumpram”. Mas eles se cumpriram à risca: em 1795 a Rússia, a Áustria e a Prússia repartiram entre si a desventurada Polônia. Em meio ao caos reinante, a Religião quase desapareceu.

São Clemente recebeu o encargo de cuidar da igreja de São Beno, dos alemães, e iniciou seu apostolado. A pobreza em que vivia a população era tão grande que, às vezes, faltava o necessário para a própria subsistência. Nessas horas dirigia-se ele à igreja e batia na porta do sacrário, dizendo: “Senhor, agora é tempo de nos socorrer”. E geralmente, depois desse ato de confiança, vinha o auxílio desejado.



Grande conhecedor da psicologia humana, São Clemente, para atrair os fiéis, empenhou-se sobretudo em exercer as funções litúrgicas com muita pompa. Apesar da dificuldade financeira, mandou fazer paramentos belos e ricos, recorrendo muito freqüentemente à exposição solene do Santíssimo Sacramento, às procissões, novenas e tríduos, para atrair o povo.

Dizia ele: “As solenidades públicas atraem por seu esplendor e aos poucos cativam o povo, que ouve mais com os olhos do que com os ouvidos”.

Ressuscitou também, ou criou, associações tradicionais de piedade, tanto para homens quanto para mulheres e crianças. Fundou uma espécie de Ordem Terceira dos redentoristas, os “oblatos”, entre os quais figuravam sacerdotes e pessoas de ambos os sexos e de todas as classes sociais.


Apostolado em meio a grandes perseguições

Em pouco tempo, as funções religiosas passaram a ser tão concorridas que, aos domingos, não cabendo na igreja, os fiéis postavam-se no cemitério e ao longo das ruas para, ao menos de longe, assistirem à Missa.
Mas não se detinha nisso o zelo do apóstolo: fundou também escolas para crianças, colocando-as em mãos de hábeis e virtuosos mestres formados sob sua vigilância. Promoveu a boa imprensa, difundindo principalmente as obras de Santo Afonso de Ligório, para o que utilizava os congregados marianos. Em seus fogosos sermões, combatia o jansenismo, o protestantismo e os franco-maçons.

Seu exemplo começou a ser imitado em outras igrejas de Varsóvia, de modo que se pôde afirmar mais tarde que a cidade transformara-se completamente por seu influxo. As pessoas que freqüentavam a igreja de São Beno pareciam viver num convento: faziam todos os dias o exame de consciência e a meditação; por ocasião da quaresma e advento, recolhiam-se à solidão para o retiro espiritual.




Mas os maus – tanto nas fileiras do clero como na sociedade civil – não suportam que o bem se expanda. Uma campanha orquestrada de detração dos redentoristas atingiu seu auge em 1800. Sobre isso escreveu São Clemente: “Os jacobinos espalham contra nós toda sorte de invencionices. Somos escarnecidos nos teatros públicos, o próprio clero está contra nós, exceto o Bispo e alguns cônegos. Somos publicamente ameaçados com a forca. [...] Uns prostravam-se diante de mim para me beijar os pés, outros me cobriam de lama; aqueles exageravam na honra, e estes no desprezo”. [...]

Sofri na Polônia coisas que só serão manifestadas no dia do Juízo Final”.


Apóstolo de Viena e promotor do culto divino

A campanha de difamação foi bem sucedida e redundou na expulsão dos redentoristas. Tentando encontrar lugar seguro para fundar o ramo alemão de sua ordem, São Clemente peregrinou de cidade em cidade até chegar a Viena, como última tentativa. Aí foi-lhe imposto o mais rigoroso silêncio, tanto no púlpito quanto no confessionário. Só uma coisa podia fazer, e isso realizou com fervor: rezar!

Nessa época, o ímpio Napoleão, em sua marcha sempre vitoriosa, conquistou a própria capital do império austríaco. Mas ali não se demorou, pois o arquiduque Carlos surgiu em socorro de Viena. São Clemente sabia que daquela batalha dependia a sorte de sua pátria. Correu para junto do tabernáculo e, com os braços em cruz, rezou fervorosamente pela vitória do arquiduque. E sua oração foi ouvida: no último ataque de Napoleão, o desespero apoderou-se da sua tropa. O arquiduque Carlos saltou então do cavalo à frente de seus soldados, empunhou a bandeira austríaca, animando com seu exemplo e valor os seus, que o seguiram entusiasmados. Em pouco tempo o campo de batalha encontrava-se em poder dos austríacos. Foi esta a primeira derrota de Napoleão...

Ora, com as batalhas, os feridos chegavam em massa para a cidade, alastrando-se a febre tifóide. O Arcebispo de Viena convocou o clero para o cuidado espiritual e material dos enfermos, tendo pedido a São Clemente que atendesse principalmente os soldados franceses e italianos.

Quando voltou a normalidade, foi ele nomeado coadjutor da igreja dos italianos, onde pôde exercer plenamente suas funções religiosas. E um número crescente de vienenses começou a agrupar-se em torno de seu confessionário e púlpito.

São Clemente pregava esporadicamente em outras igrejas de Viena, e seu nome começou a ser pronunciado também nas altas rodas da cidade com admiração e amor. Isso tornou-se ainda mais saliente em 1813, quando passou a ser diretor espiritual das Irmãs Ursulinas, de Viena, tendo ficado a seu cargo a igreja de Santa Úrsula.

Como em Varsóvia, ele cercou de esplendor o culto divino: muitas velas, flores, incenso, cânticos e tudo que podia contribuir para o esplendor das funções. Não conhecia economia, quando se tratava de honrar a Deus Nosso Senhor, a Virgem ou os santos. Convidava outros sacerdotes para aumentar o brilho das cerimônias de Santa Úrsula, de sorte que o templo tornou-se pequeno para conter a multidão cada vez maior. Havia muitos anos não se viam mais cerimônias como aquelas.

E assim, sem se importar com as proibições do josefinismo — mesmo porque o próprio irmão do Imperador freqüentava a igreja e participava das cerimônias — o exemplo de Santa Úrsula contagiou outras igrejas da cidade, que passaram a emular-se em esplendor no culto divino. Era o apostolado do belo, que ele fazia de modo exímio.


Influência crescente no Congresso de Viena

Os sermões de São Clemente eram simples. Lia o Evangelho e, entre uma sentença e outra, ia explicando um dogma da fé ou um mandamento. Confrontava então com os princípios do Evangelho os costumes em voga e as idéias do tempo, exortando sempre, com palavras quentes e insinuantes, a que todos se convertessem e praticassem a virtude. Ele não era orador; entretanto empolgava como nenhum outro pregador em Viena, pois a santidade autêntica atrai.

Nesta ocasião, deu-se a convocação do Congresso de Viena para reparar as calamidades provocadas pelas guerras napoleônicas e traçar o futuro da Europa. São Clemente esperava muito desse congresso, porque do seu resultado dependeria a prosperidade da Religião no Velho Continente. Exercia muita influência sobre alguns de seus participantes. Diariamente confabulava com eles, que lhe apresentavam as propostas que iriam fazer naquela assembléia. Até o príncipe da Baviera pedia-lhe conselhos; certa noite, ficou conferenciando com ele das 20h às 2h da madrugada.

Enquanto isso, outros discípulos de São Clemente preparavam a opinião pública por meio de artigos nos principais diários de Viena, expondo com clareza o que dele ouviam.
Ao mesmo tempo, um de seus discípulos recebeu a incumbência de pregar nas igrejas de Viena durante a época do congresso, sobre os pontos religiosos em discussão, orientando o povo e preparando os ânimos. “Se São Clemente não conseguiu tudo o que desejava do Congresso, teve a glória de salvar a Áustria do cisma que a ameaçava, e de destruir por completo os planos de separação excogitados e defendidos pelo poderoso Wessenberg. Essa vitória foi uma das mais gloriosas que São Clemente alcançou em vida”, afirmou um autor.




Devotíssimo da Santíssima Virgem

Uma palavra sobre a devoção a Nossa Senhora, que para São Clemente unia-se à do Santíssimo Sacramento. Em uma época em que até teólogos pré-progressistas julgavam dever impugnar o culto “excessivo” a Maria Santíssima, São Clemente tornou-se conhecido como o “padre que benze terços”.

Com efeito, ele chamava o rosário sua “biblioteca”, afirmando que, por essa devoção, conseguia tudo que pedia a Deus.

Impôs mesmo aos oblatos o dever de defender sempre o rosário, mormente quando escarnecido pelos hereges ou assemelhados.

São Clemente faleceu no dia 15 de março de 1820, no momento em que os sinos tocavam o Angelus. Foi beatificado por Leão XIII e canonizado por São Pio X, em 20 de maio de 1909.