Clicks29

Calixto o Patriarca Capítulos sobre a Oração

É possível, senão provável, que Calixto o Patriarca seja o mesmo Calixto Xanthopoulos, que foi patriarca de Constantinopla no final do século 14. Mas nenhum documento o prova. Da leitura dos 83 …More
É possível, senão provável, que Calixto o Patriarca seja o mesmo Calixto Xanthopoulos, que foi patriarca de Constantinopla no final do século 14. Mas nenhum documento o prova. Da leitura dos 83 capítulos que levam seu nome, uma coisa se depreende com certeza: o patriarca, cujo cargo o colocava à frente da Igreja, fala como o mais humilde e o último dos monges, e, sobretudo, como um testemunho e um profeta da interioridade e da atualidade do Reino de Deus. Ele percorre esses capítulos como uma jubilação do Reino de Deus. O feixe da experiência milenar dos hesiquiastas apresenta-se reunido aqui no testemunho pessoal de uma alma e de um coração que, no fundo, não têm a transmitir senão a alegria e a paz da deificação. "Plantar em nós o divino", diz Calixto; isto implica fazer do paraíso a imagem do homem interior, "que tem como terra o coração e por árvores a contemplação", a qual depende da humildade ("a humildade é o começo da contemplação, e a contemplação é a perfeição da humildade"). Entre o sensível e o inteligível, na contemplação hesiquiastas como na revelação bíblica, não existe divisão nem dominação, mas uma humilde osmose. "O contemplativo colhe o invisível na criação visível. Ele vê a beleza". Assim, a criação não é ocultada pela chegada do Reino. Ela é transportada com amor pelo louvor da alma. Mas há ainda mais: o contemplativo, diz Calixto, "dirige-se para o incriado". A partir daí, a vida cristã é concebida sob o duplo signo da adoração de Deus em espírito e verdade, e a prece contínua, a "prece que vive", a "prece que respira", "a prece que faz subir do coração um fluxo incessante", mergulhando "o amor que nos conduz para a beleza visível de Deus" no "êxtase do eros divino". Mas este amor tem uma condição: o contemplativo "deve, em primeiro lugar, participar do Espírito vivificante". O amor louco não é jamais outra coisa que o fruto maduro da compaixão de Cristo, no coração do mistério da Igreja. Ele é em primeiro lugar o modo de agir de Deus. O homem não deve sua salvação senão à compaixão de Cristo e ao mistério da Igreja, a qual, como a função patriarcal, permanece aqui como o não dito implícito: o lugar da eucaristia, o lugar da deificação, o lugar da comunhão e do reconhecimento onde todo fiel — afirma Calixto — é como que um "segundo Cristo." Ao longo dos capítulos, sentimos assim brotar da fonte a experiência do homem deificado que, a partir da revelação bíblica, atesta toda a tradição hesiquiastas. O lugar de passagem obrigatório da deificação permanece sendo a noéra aisthesis, o sentido intelectual, o sexto sentido que permite, a um só tempo no corpo e sem auxílio dos sentidos corporais, a visão do invisível, pela mediação do intelecto que ora: a chave da mensagem filocálica, uma mensagem que aqui é levada à incandescência pela conjunção do monge e do patriarca numa mesma pessoa testemunhando como nunca que a Igreja, totalmente aberta à via do mundo, está ao mesmo tempo absorvida pelo mistério da segunda vinda de Cristo.
estanys
Ver todos os canais
Carreiras
Download da Semana
www.msn.com/pt-br/noticias
Loterias
Curiosidades
Política