Clicks1.3K
,Jaimemn

Em 1960, o Cardeal Siri exortou as mulheres a não usarem calças

A modelo veste calças Chanel em 1964 (AP)
----------------------------------------------------------------

Quando as mulheres usam calças, escreveu ele, a distinção natural entre os sexos é diminuída

Por Francis Phillips, segunda-feira, 5 de dezembro, 2011

Um amigo indicou-me o blog do Padre Tim Finigan no qual ele menciona o falecido Cardeal Giuseppe Siri de Gênova e fornece um link para um documento escrito por este último, em 1960. Intitulado "A notificação relativa a roupas masculinas usadas por mulheres" é um documento maravilhoso e eu sou grata a meu amigo (e indiretamente ao Pe. Finigan) por trazê-lo a minha atenção.

Na notificação, que é dirigida a seu clero, às irmãs professoras, aos membros da Ação Católica e para "Os educadores que pretendem verdadeiramente seguir a doutrina cristã", o cardeal observou que em 1960 muitas mulheres respeitáveis e mães de Gênova pararam de usar vestidos e saias e começaram a usar "roupas masculinas (calças de homens)". Ele reconhece que a calça não pode ser considerada como indecente "porque elas cobrem mais do corpo da mulher do que as saias das mulheres modernas" - a menos, claro, que sejam provocativamente justas. Seu ponto principal, no entanto, tem a ver com a psicologia das mulheres que vestem calças: ele acredita que "a vestimenta masculina é o amparo visível para provocar uma atitude mental de ser 'como um homem'" ou seja, ela muda a psicologia das mulheres.

O argumento do Cardeal Siri é que "a vestimenta masculina tende a viciar as relações entre homens e mulheres", quando as mulheres usam calças, o que diminui a distinção natural entre os sexos e, assim, ajuda a "desguarnecer as defesas vitais produzidas pelo sentimento de pudor". Ele acredita que, em suma, "a mudança da psicologia feminina produz um fundamental, e no longo prazo, irreparável dano para a família, a fidelidade conjugal, às afeições humanas e à sociedade humana".

Esta é uma afirmação ousada. No entanto, quando eu descrevi a Notificação como um "documento maravilhoso", eu não estava zombando dele. É claro que a linguagem usada é pitoresca e antiga e tenho certeza de que o cardeal teria sido um pouco antipático ao "espírito do Vaticano II", o Concílio aconteceria apenas dois anos depois quando ele escreveu seus pensamentos. Na verdade, ele pode parecer - aos olhos modernos - como um idoso pomposo e reacionário, mas ele estava escrevendo nos dias em que bispos e cardeais tomavam a sério as suas responsabilidades diante de Deus, da paternidade de seu rebanho diocesano. E será que ele estava totalmente errado no que escreveu?

Há muitos anos (muito antes de perceber que o Cardeal Siri e eu estávamos em sintonia), uma amiga me deu um livro sobre a pureza e a vestimenta feminina. O livro realmente me convenceu por bem a jogar fora todas as minhas calças e pantalonas. Amigos e familiares ficaram naturalmente horrorizados: eu teria enlouquecido? Eu via todos os argumentos razoáveis contra mim: as mulheres muçulmanas modestas podem usar calças largas, as calças das mulheres não são as mesmas que as dos homens e podem ser femininas, em países muito frios elas são a única maneira de manter as pernas quentes. O que que você usa quando vai esquiar ou montar? Etc.

Mas eu me firmei às minhas armas - se é que isso não é uma metáfora muito pouco feminina.

Por quê? Bem, quando eu era uma estudante na Universidade de Cambridge em 1960 eu usava mini-saias, então a moda, na maior parte do tempo, o que era uma completa falta de modéstia, mas eu não teria agradecido ao Cardeal Siri por dizer-me isso então. Quando eu não estava usando mini-saias, eu estava tentando parecer uma personagem de um romance de Hemingway: camiseta, jeans e um pacote amassado de cigarros no meu bolso. Eu estava, como [o Cardeal] Siri aponta, deliberadamente vestindo-me "como um homem" (houve um interlúdio muito breve, quando eu usei numa roupa preta de plástico brilhante da cabeça aos pés; Deus sabe o que o cardeal teria pensado disso).

Na época eu fiz minhas escolhas e agora eu devo reparar os meus pecados de alfaiataria, e os dos outros. "Reparação" é uma idéia muito católica: fazer penitências e sacrifícios para expiar o pecado. Eu sei que isto não se encaixa no esquema darwiniano das coisas, mas faz muito sentido para mim. E assim que eu comecei a usar saias midi, e agora maxi, eu comecei a perceber a feiúra da vestimenta feminina moderna: a maioria das mulheres que eu vejo, a não ser que elas sejam muito idosas, vestem jeans apertados com uma grande extensão de pele exposta na cintura; uma coisa de mau gosto e não feminina ao mesmo tempo.

O Feminismo, um assunto controverso, também vem a este debate. Eu suspeito que o Cardeal Siri estava certo ao sugerir que este movimento não estava ajudando nada as mulheres. Eu não estou falando aqui sobre o direito ao voto e salário igual para trabalho igual, eu estou falando sobre a situação de hoje, quando, se você tentar dizer publicamente que um "direito" ao aborto prejudica as mulheres ou que ficar em casa quando os filhos são pequenos pode ser uma coisa boa, o exército temível da irmandade feminista simplesmente abre um "berreiro emudecedor".

Voltando à idéia de reparação: quando eu mencionei unir-me aos Pioneiros (por um período limitado, é claro) no meu último blog, algumas das respostas sugeriram que eu precisava me iluminar, especialmente porque eu não tenho um problema com bebida. Mas a embriaguez feminina e a conseqüente imodéstia tem um efeito desastroso sobre a sociedade. O que há de errado em fazer penitência por isso?

Veja bem, eu me preocupo onde eu posso acabar: primeiro calças, agora bebidas. Será que depois serão os chocolates?

Artigo original:
www.catholicherald.co.uk/…/in-1960-cardina…
Public domain